sexta-feira, 16 de agosto de 2019

O prejuízo de W. Dias em Parnaíba


Nas eleições municipais de 2016, o Governo do Estado subestimou a força de Mão Santa em Parnaíba, no litoral do Piauí. Na ocasião, o Palácio de Karnak preferiu centrar para derrotar o candidato do senador Ciro Nogueira em Picos. Lá, o objetivo foi alcançado.
Embora Parnaíba seja a segunda maior cidade do Piauí, o governo de Wellington Dias não via o pleito parnaibano como perigoso e confiava na reeleição do petista Florentino Neto. O resultado não foi outro: o PT perdeu e ainda promoveu o renascimento político de Mão Santa.
Mas talvez o governador Wellington Dias não imaginasse que o prejuízo seria tão grande. É justamente Parnaíba que dá hoje grande dor de cabeça ao petista. A ligação de Mão Santa, desafeto do PT, com o presidente da República Jair Bolsonaro cresce a cada dia.
Bolsonaro, outro desafeto declarado do PT, escolheu Parnaíba para sua primeira visita como presidente da República ao estado do Piauí. Junto com Mão Santa, fez gato e sapato contra a esquerda e os “petralhas” no evento presidencial na quarta-feira (14).
Bolsonaro e Mão Santa, dois desafetos do PT (Foto: Jailson Soares/PoliticaDinamica.com)Bolsonaro e Mão Santa, dois desafetos do PT (Foto: Jailson Soares/PoliticaDinamica.com)
Constrangido, Wellington Dias até esteve no aeroporto, onde cumprimentou o presidente na parte interna. Mas, logo em seguida saiu de fininho e não quis nem saber de ficar no evento. As vaias ao petista já estavam prontas, assim como os ataques de Bolsonaro à esquerda.
Para evitar ainda mais constrangimento, o governador preferiu não ficar. Hoje, diante dessa situação, talvez Wellington se arrependa de ter movido montanhas para impedir que um aliado de Ciro Nogueira chegasse à prefeitura de Picos e confiado que Florentino Neto venceria Mão Santa no litoral. Escolhas são escolhas e cada uma tem a sua consequência.
Gustavo  Almeida/Politica Dinâmica 

Prefeito do PT é acusado de tentar forçar uma médica do Mais Médicos a abandonar programa federal



Prefeito Lindenberg Vieira (Foto: Reprodução Youtube)
_Prefeito Lindenberg Vieira, que também é médico (Foto: Reprodução Youtube) 
O vazamento de prints de um duro diálogo travado entre o prefeito do município de Ribeiro Gonçalves, Lindenberg Vieira, do PT, ‘dispensando’ os trabalhos de uma médica do programa federal Mais Médicos, de nome Samália, que atua na cidade, acabou por criar celeuma em grupos de profissionais da área de saúde. Uns dizem que o gestor está 'forçando a barra' para que a médica abandone o programa federal.
Lindenberg, que também é médico, havia dito, via WhatsApp, que não tinha mais interesses no serviço da profissional. “Não precisa mais vc ir pra o posto agora à tarde, já pedi pra o Gean [Secretário de Saúde] informar que não temos mais interesses nos seus serviços”, tascou.
Afirmou, inclusive, que o secretário já estaria tratando com Cassandra, que seria coordenadora do Programa Mais Médicos na região. Ainda, que iria providenciar um valor “em aberto” no hospital. O pagamento por supostos serviços.
A médica, ainda chegou a indagar o que estava a ocorrer: “Oi? O que houve? Não estou entendendo essa conversa”. “Mas o que tem a ver com o postinho [de saúde]?”. Entre as muitas argumentações a profissional diz que “não lembra de ter recebido alguma advertência”.
Também que só deixará “o postinho com justificativa do governo federal”.

_Localização do município (Imagem: Reprodução)
_Localização do município (Imagem: Reprodução) 
“NÃO VÁ PARA O POSTO”
Ao ver o tom do diálogo, o prefeito petista chegou a dizer “Dra, a senhora não vá pra o posto, não temos mais interesses nos seus serviços”. No que a médica enfrentou: “Irei”. “Por favor, não complica a coisas”, pediu o gestor.
O pedido serviu para a médica dizer: “Quem está complicando é o senhor”. E ameaçar: “Se me prejudicar, vou usar o que tenho. Qual o problema?”.
“VOCÊ NÃO É CRIANÇA”
O prefeito Lindenberg Vieira advertiu: “Bom vc não é criança”. A médica voltou a realçar que “sem advertência não perco meu cargo”. “E sem enfermeira formada o hospital fecha. Aguardo correspondência oficial do governo federal. Enquanto isso trabalharei normalmente. Passar bem”, emendou a médica.



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“QUEM DEMITE É BOLSONARO”
Procurado, o gestor enumerou três causas para a dispensa. A médica não seria assídua (“chegaria de 1 hora a 1 hora e 30 atrasada”), atenderia mal às pessoas (“se recusa a atender gestante”, “a atender criança da zona rural” e “até idoso”, “quem não é do bairro dela ela não atende”). Além do que seria “instável emocionalmente”. 
Indagado o porquê de não existir, com base no diálogo constante nos prints, a menção a nenhum processo prévio ou reclamação prévia contra a médica, o gestor disse que o caso foi comunicado à coordenadora do Programa Mais Médico.
Indagado por que o gestor municipal estava a dispensar os serviços de uma médica de um programa do governo federal, o gestor disse que apenas pediu que ela "ficasse em casa ou no hotel da cidade" aguardando o desenrolar dos fatos para seu desligamento, mas que “quem demite é Jair Bolsonaro”, o presidente da República. “Ela só não tem o perfil [para o cargo]”, acresceu.
O gestor ainda disse ter reputação “ilibada” e enviou algumas mensagens de apoiadores, ao tratarem sobre o caso. “Decisão sensata, Dr. Lindenberg! Nós o conhecemos muito bem e o colega tem reputação irretocável e predicados para admoestar essa colega indolente com vícios indeléveis! Parabéns pela sua conduta cortez e elegante”, diz uma delas. 
Quando do contato inicial da reportagem o prefeito chegou a dizer que iria “ficar rico, porque depois de toda essa exposição, a indenização será generosa”. Em outra ocasião disse que a médica, “provavelmente, teria se formado em uma faculdade bem ruim”.
Segundo o próprio líder do Executivo municipal, a médica trabalharia no município desde o ano de 2017. Ou seja, há cerca de dois anos. Não haveria, no entanto, registros de reclamações contra ela nesse período.
Sobre os diálogos dos prints, Lindenberg falou “não ter nada demais” e que tudo não passava de “um mal entendido”.
A médica não foi encontrada para responder às afirmações do gestor. Mas pode se manifestar, logicamente: jornalistaromulorocha@uol.com.br.
Por Romulo Rocha/180graus 

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